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AV. Nilo PEÇANHA, RJ, retrato de um Brasil abandonado há décadas

Tomando o Centro do Rio, ‘Homeless’ evoluíram e agora tem teto

Eles estão aguardando a caridade, juntos, e, cada vez mais novos “moradores” se unem aos amigos de rua. São décadas de abandono, totalmente invisíveis, principalmente para os Governantes e agora, com a miséria aumentando, devido a pandemia da COVID 19, moradores de rua se aglomeram. Isolamento? Prevenção? Sem chance, a fome grita…

“Voluntários levam alimento: ajuda ou incentivo para ficar na rua?”

A Avenida Nilo Peçanha, nas proximidades da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, altura do numero 26, tornou-se uma verdadeira comunidade de moradores de rua, ao longo de toda calçada.  E agora quem fica no local nem pode mais ser chamado de homeless “sem-teto”, que passa fome, pois no local há barracas de acampamento e os moradores de rua recebem diariamente café da manhã, almoço e jantar.

– Não só aqui como na Presidente Vargas e Av. Rio Branco todo dia a Igreja Uni…traz três refeições por dia para os moradores de rua, melhor do que muita gente – contou um motorista de linha de ônibus que fica próximo ao local.

“Com este corona, sem bicos, sem vender balas, tive que sair de minha casa”

Como disse a fonte, a reportagem constatou ao longo de boa parte da calçada da Av. Presidente Vargas, diversas pessoas e famílias em tapetes, colchões e barracas. Para muitas pessoas moradores de rua são verdadeiros ‘vagabundos’ e muitas mulheres temem andar pelo Centro da Cidade do Rio de Janeiro.

– Sinceramente eu acho que tem oportunidades, o governo oferece abrigos e todo mundo consegue um trabalhinho. Pior é ficar dando comida, daí que eles não vão querer sair da rua mesmo. Eu morro de medo de passar na Rio Branco. Fora os pivetes e cracudos – falava irritada e assustada a enfermeira J.J., que pediu para omitir seu nome.

Mas eles querem morar em calçadas, sob marquises? Muitos destacam que a liberdade é o que vale, por isso não aceitam ir para abrigos e ter que cumprir normas e horários. Porém alguns moradores de rua vão aos abrigos da Prefeitura do Rio para se alimentar e tomar banho, depois voltam às ruas.  Mas a reportagem conversou com outros e estes afirmavam querer uma vida digna.

– Moço as pessoas acham que a gente gosta de ser morador de rua, vocês pensam mesmo isso? Eu sempre tive dificuldades, então com este corona, sem meus bicos, sem vender minhas balas, tive que sair de minha casa. Agora como o Centro ‘tá’ mais vazio e os amigos aqui me ajudam, consegui uma barraca e estou com a família – contou o simpático, e, durante um bom papo, o inteligente Zé Carlos.

Ricardo Albuquerque

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